Esta é a história de uma menina cuja alma e coração eram maiores que ela própria. A história de uma linda menina que nunca soube ver a grandeza que residia no seu interior. Mas como poderia ela, agora, culpar-se de tal coisa?! Tendo um passado assim!
Mas vamos por pontos… uma coisa
de cada vez.
Era uma vez uma menina
extremamente linda, com os seus cabelos que pareciam ouro, de olhos azuis do
mais profundo alguma vez visto, capaz de fazer qualquer pessoa perder-se na sua
imensidão. A sua pele era tao clara como a neve e os seus lábios vermelhos como
o sangue.
Apesar de,
aparentemente, ter tudo para ser uma linda moça, esta nunca se sentiu como tal
e muitas foram as pessoas e situações que contribuíram para isso.
Infância...
Toda
a sua infância foi pautada por sentimentos de alegria, preenchimento, amizade
e, principalmente, por amor. Esta era uma criança alegre, comunicativa, amada e
acarinhada por todos. Principalmente pelo seu pai, cujos olhos brilhavam apenas
de ouvir o seu nome. Era a “menina do papá”. Era com ele que passeava, que ia
nadar para o rio, que pintava, era ele que a acalmava nos seus pequenos
momentos de birra.
No
seu percurso escolar, elogios eram algo que nunca faltava, “mas que inteligente”,
“quem me dera ser como tu, não ter que estudar e tirar sempre boas notas”. Era
elogiada por muitos, principalmente pelos professores, mas também alvo de muita
inveja.
Adolescência...
Na
relação com os amigos, o caso era mais complicado, esta era bastante selectiva
nas suas amizades, tinha um grupo restrito de amizades e, mesmo com esse
grupo ela tinha as suas próprias reservas. Apenas falava sobre si própria,
sobre os seus problemas em último caso, apenas quando não conseguisse guardar
mais para si. Em suma, quando estava prestes a rebentar.
E
vocês perguntam-se porquê?! Ora bem… é bastante fácil de responder a essa
questão… Não se tratava apenas da enorme dificuldade em confiar naquelas
pessoas, mas, principalmente, por não querer ser um “fardo” para elas,
como se os seus problemas não fossem suficientemente importantes para ocupar o
tempo daquelas pessoas que via como as suas melhores amigas. Esta pobre
criança, aliás adolescente, em todo o seu percurso de vida, até àquele momento,
nunca soube o que era partilhar sentimentos. Era como se todas as suas capacidades
fossem caixinhas que estavam dentro de si, e a caixa emocional nunca tivesse
sido aberta ou, então, fora apenas parcialmente aberta. E digo parcialmente
aberta porque esta preocupava-se bastante com os outros, com os sentimentos doutrem
colocando os seus sempre para segundo plano.
A
imagem que tinha da sua família parecia ser retirada dum livro, onde tudo era
perfeito. Uma mãe que estava sempre presente, que ajudava nos trabalhos da
escola, que fazia perguntas sobre como tinha sido o dia, se tinha feito novos
amigos, o que tinha almoçado, etc. Elas tinham, inclusivamente, uma espécie de
programa obrigatório todos os sábados à noite. Todos os sábados à noite, depois
do jantar iam sentar-se em frente à televisão, quase que coladas uma à outra,
com um enorme de balde de pipocas e viam filmes pela noite dentro. Eram esses
pequenos momentos que tornavam a nossa menina completamente feliz. E o pai, era uma figura excepcional.
No entanto, é
do seio desta, aparentemente feliz, família que vão surgir as maiores
desilusões…
Quanto
aos amores, imperava o amor não correspondido… Ele era um rapaz lindo de cabelo
castanho e olhos verdes. Era popular e inteligente e ela uma menina tímida que
não acreditava que alguma vez ele fosse olhar para ela. Apesar de serem muito
amigos e de, por vezes, terem os seus momentos de proximidade, nunca foi o
suficiente para darem o tal passo. Mas que iludida ela estava com ele… Tinha
alguém à sua frente que a amava realmente e nunca tinha reparado…
Esta linda
menina de cachos de ouro e olhos de oceano transparecia uma imagem de ser
extremamente tímida, calma, calada, reservada, com medo de correr riscos. De
facto, aos olhos dos outros, ela parecia ser feliz, de bem com a vida, como se
tudo corresse como planeado, que melhor seria impossível…
Mas não poderiam estar mais
errados…
E será numa viagem inesperada que tudo mudará…
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