A pensar que esta seria uma semana algo diferente, apenas na companhia da
minha mãe e do meu computador num sítio sem televisão, sem rádio e sem
internet… Que iria conseguir descansar, descomprimir e libertar o stress, acordando todos os dias com esta lindíssima paisagem...
Oh,
como estava enganada…
Durante aquela habitual conversa, que por sinal adoro (ou não), do como
tens estado, do que tens feito, como estão a correr as coisas, e de namorados…
No meio de toda aquela conversa que já estava a aborrecer-me e a deixar-me
incomodada, juntamente, com aquele olhar de desdém que me era lançado, eis que
surge este comentário “Devias deixar de ser assim tão encolhidinha e ser mais
floreada, devias ser como a tua prima, quando ela entra numa sala todos reparam
nela”….
Na minha cabeça a resposta
que se formou foi:
Adoro quando as pessoas, que mal me
conhecem, pensam que me conhecem e que podem dizer-me para ser assim ou assado
ou que sou X ou Y. E o facto deste tipo de comentário provir de alguém da tua
própria família é ainda pior. Até há pouco tempo, ser da família significava
compreender, respeitar, aceitar a outra pessoa tal como ela é e não querer que
ela fosse diferente, não querer mudá-la e muito menos andar a fazer comparações…
Que eu saiba diz-se que o ser humano é único por algum motivo! Qual o mal de
ser mais calada em certas circunstâncias?!! O que há de errado estar mais na
defensiva quando não me sinto tão à vontade com as pessoas?!! Que eu saiba
nenhum… Para ti, era preferível que fosse mais “floreada”, que fosse aquele
género de rapariga que quando entra num lugar todos viram a cabeça para olhar
para ela, que mal entra as pessoas sentem a sua presença… Pois bem, aqui vai
uma coisa que não sabes… Sou capaz de fazer tais coisas, sou capaz de
“iluminar” uma sala só com a minha presença, com a minha boa disposição… Aliás
quem me conhece sabe que aprecio uma boa festa, uma boa conversa, uma boa
piada, aliás sou conhecida por isso mesmo… Apenas acho que existe um local e
uma altura certa para ter esse tipo de comportamentos… Não há necessidade de
ser sempre uma pessoa vistosa, de ser o centro das atenções. Para mim, essas pessoas
são tristes, são pessoas que se sentem sozinhas, carentes que necessitam dessa
atenção para viverem as suas vidas. Vidas que são uma ilusão, pois, no fundo,
não estão a ser elas próprias.
Falaste de mim como se eu não
tivesse iniciativa para nada, como se eu não tivesse opinião sobre nada… Mais
uma vez, tremendamente enganada… Talvez a culpa por pensares isso seja minha,
mas, apesar de tudo, nunca me deste provas de merecer conhecer-me, de saber
quem realmente sou… Sei que moramos longe, que apenas nos vemos em épocas
festivas ou noutras situações familiares e que ouves apenas o que certa pessoa
te conta, mas nunca deverias apontar o dedo a ninguém, muito menos a alguém que
nunca fez nada de errado para com a família. Talvez devesses olhar melhor para
ti e para quem te rodeia…
Mas o que, na realidade, disse
foi um simples “Não tenho necessidade de ser assim, não preciso que notem a
minha presença nesse sentido” Ao que ela me responde “Mas devias” e a conversa
ficou por ali…
E vocês agora poderiam dizer/perguntar, e com toda a razão, mas porquê
ficares tão incomodada com esses comentários se essa pessoa nem te é assim tão
próxima?! Ou talvez ela não tivesse essa intenção?!
Ao que respondo, têm toda a razão, mas mesmo assim custa ouvir tais
comentários de alguém que te viu crescer, que passou todos os natais contigo,
que passou algumas temporadas de verão contigo, que te liga quando fazes anos,
que foi ter contigo às urgências sempre que foi preciso… que te chama de
Sobrinha e a quem tu chamas de TIA… Mas, talvez, a causa principal de tanto
incómodo foi por virem da parte de alguém que não estava à espera, foi sentido
como uma bofetada.
Até podia não ter tido essa intenção, mas foi sentida como tal… Não tenho
necessidade de ser igual a ninguém, nunca tive e espero nunca vir a ter, sempre
gostei de ter opiniões próprias, sempre gostei de ser verdadeira comigo (com a
minha essência) e com os outros… Posso estar errada, mas este é o único caminho
que conheço…
Mas querem saber qual o pior nisto tudo? A minha mãe esteve a meu lado
durante toda esta conversa e nada disse…
Mas ironia das ironias… o meu dia terminou com uma mensagem no telemóvel
que dizia… “Gosto tanto de ti e tu nem imaginas o quanto”
(01-04-2013 a 08-04-2013) By KekoaTan

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