A sua inteligência e aplicação na escola eram grandemente reconhecidas e, como tal, a menina dos olhos de um azul profundo, foi convidada a participar num intercâmbio escolar. O destino escolhido foi a Polónia, mais especificamente Varsóvia.
A notícia foi
recebida com grande entusiasmo, por um lado porque ia viajar, novamente, de
avião, mas por outro, porque ia conhecer novos sítios, novas pessoas e uma nova
cultura.
Inconscientemente, esta era a oportunidade que
tanto esperava, sentia que, finalmente poderia ser livre.
Mas primeiro
teria que passar por um pequeno obstáculo, conseguir a aprovação dos seus pais…
Será que iria conseguir?
Como sempre, o
pai aprovou de imediato, no entanto, a mãe estava bastante receosa… Tinha medo
que algo pudesse acontecer e ela estaria a quilómetros de distância
incapacitada de qualquer socorro. Depois de muito esforço, insistência e “choraminguice”
a mãe acabou de ceder.
Lá foi a pequena dos
cachos de ouro em direcção a um novo país, a uma nova vida….
Era um grupo
de 10 alunos, que estavam sob responsabilidade de um adulto. Os alunos iriam
morar com a família que lhes havia sido sugerida e o adulto numa casa alugada.
A menina dos
cabelos de ouro estava no grupo dos mais velhos, ela tinha 15 anos…. E não
conhecia ninguém daquele grupo, a não ser o seu amigo, o R., o tal que fazia
com o que seu coração palpitasse e a sua face corasse. O facto de ele também ir
fê-la ficar ainda mais feliz, talvez ganhasse coragem e, finalmente, se
declarasse…
A viagem
correu sem qualquer problema, apesar de ter demorado uma eternidade com a troca
de aviões. No entanto, nada disso importava pois ela estava a adorar, era uma
situação completamente nova. A sua cara estava “inundada” por um enorme sorriso
de orelha a orelha e os seus olhos brilhavam de tanto entusiasmo e alegria.
Mal
o avião aterrou entraram num autocarro e foram dar uma vista de olhos por
Varsóvia fazendo tempo até à hora de serem entregues às famílias de
acolhimento. Mas a nossa menina estava tão cansada que acabou por adormecer.
A
casa onde ia morar nos próximos meses era enorme, tinha três andares. No 1º
andar tinha a sala, a cozinha e as despensas. O 2º andar era a zona dos
quartos, ao todo eram 4 quartos e duas wc. No 3º e último andar, era o sótão onde
tinham as suas arrumações e onde o filho do meio tinha o seu pequeno ginásio.
Era uma
família extremamente simpática, todos eles loiros de olhos azuis e extremamente
altos. Ao todo eram 5 elementos, os pais, duas raparigas e um rapaz. À excepção
da mãe, todos dominavam o inglês. Os temas de conversa eram do mais variado que
podia existir, falavam de Portugal, da Polónia, de sítios que iriam gostar de
visitar, da gastronomia, de futebol, da situação económica e da família da
pequena dos cachos de ouro.
A menina do
cabelo de ouro iria ficar no quarto da menina polaca da sua idade, a menina que,
igualmente, se tinha inscrito no intercâmbio. E mesmo ao lado era o quarto do
rapaz polaco. Os outros dois quartos ficavam na outra extremidade, separados
pelo compartimento da wc.
A M. era a rapariga
polaca com quem a menina dos olhos profundos partilhava o quarto. Esta era
extremamente bonita, muito simpática, comunicativa, extrovertida e rebelde. O
L. era o irmão, um rapaz bonito, fisicamente bem constituído, devido ao treino
físico, era mais velho que estas, no entanto, ainda algo infantil. Este era
provocador e sempre que podia flertava com a menina dos cachos de ouro.
A outra menina
polaca, a S. era a mais velha e encontrava-se a estudar fora. Por isso, só ia a
casa aos fins-de-semana. Mas tal como a M. era extremamente bonita e simpática.
Toda a família
parecia retirada da televisão, pareciam todos perfeitos
Nos primeiros
tempos, durante o dia, o grupo de alunos (portugueses e polacos), ia visitar os
pontos turísticos de Varsóvia e das terras em redor. Estes visitavam museus,
zonas emblemáticas, restaurantes famosos e tradicionais, parques naturais e, como
não poderia deixar de ser, visitaram os Campos de Concentração. Este foi um
local que a menina dos cachos de ouro jamais esqueceu, não tanto pelo sítio em
si mas pelos relatos que ouviu de familiares de judeus que morreram e sofreram
naqueles campos.
Durante a noite, sempre que possível o grupo
dos mais velhos combinava saídas, estes iam para os bares locais, ou para o
parque onde conversavam durante horas ou então organizavam pequenas festas nas
casas uns dos outros.
Após este
período inicial de apresentações, por estranho que pareça, a menina dos cachos
de ouro sentia-se em casa. A menina
que era vista por todos como sendo tímida, reservada e muito introvertida,
falava com todos, participava em todas as actividades que surgiam, ajudava quem
não conseguia falar bem inglês, brincava e protegia os mais novos e ajudava nas
tarefas em casa. Esta sentia que era aceite, amada, acarinhada por todos,
apesar de apenas terem passados poucos dias da sua chegada. O único senão era a
nível da alimentação. Os hábitos alimentares daquela cultura eram bastante
estranhos, o que fez com que esta (e todos os alunos portugueses) passasse
alguma fome.
Durante a “época
dos passeios”, aproximações começaram a ser feitas, apesar de continuarem a
funcionar como grupo e de se protegerem entre si. O rapaz que fazia palpitar o
coração da menina dos cachos de ouro aproximou-se de M. e, com o passar do
tempo, começaram a namorar.
O que deveria
originar uma tristeza profunda à menina dos cabelos louros, permitiu que esta
se apercebesse que talvez tivesse esperado tempo demais para dar o primeiro
passo e, se o R. agora namorava com a M. é porque gostava realmente dela. A
menina dos cachos de ouro, apesar de triste e magoada consigo mesmo por não ter
tentando nada mais cedo, via que R. e M. estavam felizes e não iria colocar-se
no meio da sua relação. Iria apoiá-los sempre que necessário.
Com toda esta
situação a nossa menina começou a reparar com mais atenção nos rapazes que a
rodeavam. E dois captaram a sua atenção, um português e um polaco.
E o que iria ela agora fazer? E o irmão de M.
continuava a flertar com ela
A entrada para
a escola polaca aproximava-se e a adolescente dos cachos de ouro começava a
ficar ansiosa. Esta perguntava-se constantemente se estaria altura do desafio,
pois nunca tinha passado por tal experiência….
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